Expressões faciais – o básico

Há muitos meses mencionei o livro Facial Expressions, no post Expressões e Anatomia.

Achei que estava na hora de falar um pouco mais sobre o livro e sobre o básico para desenhar expressões.

A primeira coisa é: é algo que já existe em você! Desde bebê, você sorri quando está feliz e chora para expressar desconforto. Você treinou as mais diversas caretas e, intuitivamente, selecionou as que causavam as reações que você esperava nas pessoas ao seu redor. Justamente por isso, pegue um espelho e se observe. Pense em algo que gosta muito, pense em uma ótima piada, pense num momento em que sofreu, pense na sua maior decepção, lembre quando bateu o dedão na quina do móvel, enfim, essas lembranças acompanham uma mudança nos músculos do seu rosto.

A segunda coisa é: se não ficou satisfeito com o resultado, continue observando!

Observe as pessoas na rua, observe os amigos enquanto conversa, os familiares nas mais diversas situações: cada pessoa tem seu jeito de se expressar. Uma gargalha, outra apenas sorri, outra sempre fecha os olhos nas fotos, outra enrubesce, outra teima em olhar par o chão. E, mesmo assim, você perceberá que existem características comuns entre esse mundo de expressões. Uma pessoa que está feliz passa um ar mais leve, mais descontraído, seja com aquilo que fala, seja com o que comunica com o corpo. Uma pessoa deprimida parece fazer tudo com dificuldade, parece enrolar quando deveria estar agindo, parece agir quando deveria estar ouvindo. Ver as diferenças e as semelhanças certamente vão ajudar a desenhar expressões cada vez mais interessantes.

Terceiro: use sua criatividade, sua vontade de fazer arte para passar a sensação que deseja ao leitor!

A expressão gráfica de uma expressão facial não precisa nem deve se limitar ao desenho do rosto. O corpo comunica, a situação comunica, a continuidade das ações comunica. Quando nos expressamos na vida real, nossas expressões faciais são uma pequena parte (ainda que essencial) do que estamos sentindo ou queremos passar. O desenho tem suas limitações, mas também tem seus benefícios. Extrapole o desenho do real para passar o que sente que precisa passar com um determinado desenho! As cores que usar farão muita diferença; por exemplo, observe o uso de filtros nos filmes, alguns momentos são amarelados, outros azulados, outros parecem mais iluminados – tudo isso pode ser utilizado no desenho. Falando de mangá, facilmente podemos extrapolar a realidade, por exemplo, é comum ver as bolhas de sabão perto das pessoas, ou hexágonos de sol, as nuvens sobre a cabeça, as sombras sobre o rosto, os olhos com corações ou estrelas; nada disso é tirado direto da realidade e, ainda assim, parece facilitar tanto a nossa compreensão do que acontece naquele determinado quadro. É só bater o olho e compreendemos toda uma relação entre personagens.

Bom, acho que esses três princípios são o essencial, agora vou passar um pouquinho para o livro.

A primeira vez que vi a sugestão de olhar-se no espelho para desenhar uma expressão facial foi lá. Simples e perfeita a dica. Claro que existem limites ou todos nós seríamos grandes atores e ganharíamos uma grana preta em Hollywood, o que acredito não ser o caso. Mas certamente ajuda por muuuuuito tempo.

Existem alguns pontos chave do rosto que contribuem para a expressão.

- Antes de tudo, a região dos olhos. Isso inclui a íris, as pupilas, os cílios, as pálpebras, as sobrancelhas e mesmo um tanto da testa.

- Depois, a boca. Os lábios, abertos ou fechados, se os dentes aparecem e como aparecem, a musculatura ao redor de toda a boca, a língua.

Comecemos com emoticons, eles não são justamente olhos e boca?

Agora imagine essas expressões em uma pessoa. Imaginou?

Agora imagine essas expressões em um personagem. Pronto, é só desenhar!

(adição de 15/05/2013)

Para ajudar, achei esta imagem no mangá Hot Ginmick :

Screen Shot 2013-05-14 at 11.33.26 AM

Love so Life

Love so Life é a estória de Shiharu Nakamura, uma órfã adolescente que adora crianças e quer abrir uma creche. Para juntar o dinheiro, trabalha para Matsunaga-san como babá de seus sobrinhos Akane a Aoi. Como a própria Shiharu vive há muito tempo em um orfanato, ela valoriza muito o convívio com a família Matsunaga.

É um Shoujo bem desenhado, elaborado, bem escrito e fácil de acompanhar. Nada de grandes reviravoltas. Eu acho que o forte do Love so Life é o sentimento e os valores que ele passa para o leitor, apresentando de modo carismático o convívio de Shiharo com Akane a Aoi, assim como com os demais personagens.

Tem algumas expressões que achei particularmente engraçadas ou simpáticas. Por exemplo, a Akane e Aoi encatados com a ideia de morangos (o Aoi tem o cabelo ou pouco mais curto que a Akane, além de fazer caretas com a boca em forma de gota):

Ou os dois morrendo de medo de um cara fantasido de monstro:

É muito interessante como os olhos feitos apenas com a sobreposição de vários traços ovais ficam ótimos para essa expressão mista de terror e surpresa.

Eu virei uma fã do Aoi  ><  Seguem outras duas imagem. Uma dele louco da vida porque queriam tirar ele do show que gostava (mais expressivo, impossível!) e outra dele bravo por não conseguir vesitir a calça direito. Fofo demais!

A imagem seguinte é do matsunaga aflito:

Achei bem interessante o uso da “nuvenzinha” nesta cena com a Shiharu:

Um outro artifício interessante da autora é incluir texturas nas caixas de diálogo, para passar a sensação da pessoa quando está falando:

Às vezes são estrelinhas, outras corações, pode ser com flores ou mesmo raios. O importante é ajudar na expressão dos sentimentos evocados na cena.

Falando em cenas, um momento que achei particularmente bem desenhado é do amigo do Matsunaga sentado no banco de um jeito travesso (a cara dele!) e curioso:

E para finalizar, uma cena que achei excepcional:

Claro que no meio do mangá e com o contexto certo, a cena fica mais divertida. Mas observe a expressão de assombro da Shiharu e os pés de havaiannas voadoras do Takeru, com as folhas levantadas dando a sensação de movimento. Sensacional!

Entrecapa do primeiro capítulo, agora em nanquim

Olá,

Este post é para falar do nanquim da entrecapa. Então, primeiro, de tudo, a versão final em grafite:

Confesso que fiz mais algumas pequenas modficações enquanto aplicava o nanquim. Acrescentei algumas linhas no cabelo da Ellie e mudei um pouco o desenho no interior do brinco do Mizutani; nada demais.

Agora o nanquim:

O jpg prejudica muito a qualidade da imagem, mas acho que dá para perceber o geral.

Acho que as diferenças entre o rascunho exibido no post anterior (Do rascunho ao grafite) e a versão final do desenho ficam mais nítidas. O desenho final ficou mais harmonioso de um modo geral e acho que agora está mais perto do que eu queria para a imagem.

Usei pena G para quase todo o desenho. Usei a pena fina para o cabelo e sombra da boca da Ellie, para o brinco do Mizutani e para explicitar os tendões da mão do Mizutani. (para melhores explicações sobre as penas, ver o post Hobbies overlapping 2)

O nanquim foi feito em 3 partes, isso porque tive medo de que borrasse. Sendo destra, recomenda-se que se comece do canto superior esquerdo, evitando que a mão e o braço se apóiem sobre o nanquim húmido. Ainda assim, como preciso usar a pena numa posição bem específica para fazer traços mais espessos (puxando a pena com o “corte” dela na mesma direção do traço), essa regra não é o suficiente para não borrar o desenho.

Comecei pelo cabelo do Mizutani, depois algumas partes do rosto, pescoço, braço, rosto da Ellie. Num segundo momento, terminei o uso da pena G (orelha e resto do rosto do Mizutani, mãos do Mizutani) e comecei o cabelo da Ellie com a pena mais fina. Por fim, o resto do cabelo da Ellie e o brinco do Mizutani. Mesmo com todos esses cuidados, um dia que não sequei a mão direito (lavo a mão sempre antes de desenhar na folha de nanquim) resultou no borrado que pode ser visto no pescoço e manga do Mizutani  ><

Achei que meu controle da pena melhorou um pouco, porque a maioria dos traços do Mizutani foram feitos passando a pena uma única vez (no nariz e ponta do queixo dele, eu ainda precisei mais de um traço para fazer os efeitos que eu queria, deixando até a linha espessa demais).

Também queria que o tipo de traço do cabelo dela ficasse bem diferente dos demais, para destacar a interação entre os dois e gostei do resultado. Usei a pena mais fina, mas não só isso, também deixei os traços do cabelo mais finos no interior e um pouco mais espessos nos contornos externos, ainda que mais finos que os traços usados para as mãos do Mizutani.

Fiz algumas besterinhas no cabelo dele (traço muito espesso próximo à orelha, mecha “quebrada” sobre a bochecha, etc.) e outras ainda ao longo do desenho, mas o aspecto geral ficou satisfatório.

Agora imprimi 3 cópias do desenho para fazer alguns testes de cor e de material de pintura. Acho que começarei com o lápis de cor mesmo, depois lápis aquarelável e screentone (sou um zero à esquerda para qualquer outro material). Vamos ver no que dá.

Do rascunho ao grafite – entrecapa do primeiro capítulo

Este é o segundo post só sobre essa entrecapa que eu achei que nem precisaria fazer! Eita ingenuidade de principiante.

Depois de escolhido o desenho, repito aqui a imagem do primeiro esboço:

Essas margens são do próprio bloco de folhas e foram ignoradas para os passos seguintes.

Mas vamos ao desenho. A primeira impressão do desenho ainda está muito ruim. Ao invés de passar a impressão que eu queria de algo carinhoso, ainda que um tanto possessivo, passa a sensação de algo um pouco agressivo e árido. O olho do Mizutani está estranho, a mão precisa definitivamente de algumas adaptações porque os dedos parecem muito finos e tortos, a outra mão está deslocada e ficou afundada no pescoço da Ellie, falta roupa no Mizutani, o queixo dele tem algo de estranho.

Claro que muito é aproveitado. Os traços gerais vão continuar para o desenho em folha para nanquim, mas esta não será a versão final do desenho.

Corrigindo os problemas passo a passo:

a) O olho do Mizutani – fui ver os olhos em alguns mangás para entender porque o olho dele me passava a sensação de estranho à cena e cheguei à conclusão que as linhas gerais do olho precisavam ser repensadas. Então, fiz alguns testes (à caneta mesmo, às pressas) para ver a sensação que me passava cada conjunto de traços.

Ainad que sejam transformações simples, elas fizeram toda a diferença. Percebam que tentei linhas côncavas, convexas, algumas combinações de linhas mais ou menos angulares, canto do olho fechado ou aberto. Foi isso que possibilitou fazer o olho final do Mizutani, pois pareceu-me que o olho do topo da folha passa melhor a sensação que quero para a expressão do personagem.

b) Para refazer a mão aberta do Mizutani, tirei algumas fotos da minha própria mão em uma posição semelhante. O que eu tinha de redondo por perto para equivaler ao rosto da Ellie era o meu joelho =P, além de ter que adaptar a minha mão pequena e gordinha para a mão masculina mais nodosa de dedos alongados tão típica dos heróis de mangá.

Acabei utilizando a foto só para ajeitar o desenho.

c) A outra mão foi mais fácil de resolver, já que eu passei esse esboço para a folha de nanquim com o auxílio da mesa de luz. Então, enquanto passava a limpo, apenas desloquei as folhas de forma a reencaixar os traços da mão original no espaço que eu queria da folha de nanquim. Adicionei alguns poucos traços para enfatizar os nós das mãos (que servem também para evidenciar que aquele objeto no desenho é uma mão).

d) A roupa acabou a mais simples possível, já que o ambiente é de praia mesmo. Só acrescentei uns detalhes e – ta dah! – fez-se uma camiseta sem mangas.

e) O queixo… acho que o que mais diferença foi mudar o ângudo da linha que desce da orelha. Ao invés de descer reto, deixei mais anguloso, diminuindo a área do maxilar.

Outras modificações:

f) Para fazer o braço, adicionei uma folha sulfite de modo que ela ficasse como continuação da folha do desenho. Isso permite continuar o desenho para além da folha original, facilitando compreender a posição do braço como um todo e evitando uma posição de aspecto muito artificial.

g) Aumentei a quantidade de traços do cabelo da Ellie, na tentativa de evidenciar o que é cabelo do resto da imagem e principalmente distingui-los das mãos do Mizutani. Acrescentei algumas quedas do cabelo sobre as mãos também, para aumentar a sensação de que há contato entre os personagens.

Finalmente o resultado encontra-se abaixo:

Boku ni natta watashi

Boku ni natta watashi é um shoujo mangá sobre uma menina que começa a estudar em um colégio só para homens para que o irmão não perca a vaga. O mangá é bonitinho, com uma estória fraca, mas bem contada, cujo principal atrativo é a qualidade dos desenhos.

Os desenhos nem são super elaborados como no The bride of the water god, mas cada traço é agradável, assim como o conjunto e expressividade das cenas. Os personagens acabam ganhando carisma pela qualidade dos traços, firmes e bem colocados. Achei o Boku ni natta watashi um dos shoujos melhor desenhados dentro da filosofia “fazer pouco, mas fazer esse pouco muito bem”.

Seguem alguns exemplos:

Essa expressão de surpresa da Momoko é excelente. Ela acaba de perceber que foi trapaceada, olhando para o local onde deveria estar uma bacia.

A boca está muito expressiva e harmoniosa com a expressão, ainda que feita com pouquíssimos traços.

E quem nunca passou por uma situação assim, que algo chama a nossa atenção enquanto estamos caminhando para um outro lugar. Observe o cuidado do artista em aplicar a gravidade ao cabelo da Momoko (curto, cheio, macio e liso). O corpo dá realmente a impressão de uma caminhada/corrida subitamente interrompida quando Momoko vê o cartaz.

Pode parecer um desenho simples, mas o ângulo utilizado para desenhar o Itou é incomum e está muito bem feito.

O melhor é ver o quadro acima no contexto do mangá. É a mão do Itou, preparando para a largada da corrida. A maneira como os quadros são organizados é simples e genial. Com um quadro para a mão, que fica em uma posição muito peculiar neste momento. Acho que essa capacidade de perceber detalhes que são mais expressivos de uma determinada situação (como neste caso da mão do corredor na linha de largada), enriquecem a arte de um mangá. É buscar a expressão da cena em seus detalhes e de uma maneira original.

Finalmente, uma das cenas que mais gosto no mangá. Caso intencione ler o mangá, ignore o resto deste post:

A cena do Kawakami abraçando Itou. Sen-sa-cio-nal! O rosto do Itou está impagável com as mãos auxiliando a expressar a surpresa do personagem e a vontade de fugir. A expressão do Kawakami também está sensacional, com a cara de cachorrinho satisfeito. Não só isso, a maneira como o Kawakami abraça o Itou é por si só muito original e expressiva da devoção de um personagem pelo outro.

No geral, é um mangá que vale a pena ver, mesmo com os chavões, porque as cenas são muito bem desenhadas e engraçadíssimas.

Beijos!

Buscando uma identidade…

Boa noite!

Estou numa saga complexa de buscar uma imagem para mim. Percebi que sou péssima nisso. Não me imagino diferente de séria, apesar de não ser exatamente essa a imagem que passo para meus conhecidos.

Essas reflexões egocêntricas ocorrem desde quando o WordPress escolheu uma imagenzinha fajuta como meu ícone. Assim não dá! Ao menos a gente deveria escolher alguma imagem de natureza, como os logins dos sistemas operacionais, né?

Mas não é o caso, então, vamos à luta!

Como é um blog sobre desenho e tal, queria fazer a minha versão de mim mesma como personagem de mangá. Fracassei miseravelmente até o momento, mas deixo aqui algumas das minhas tentativas.

A primeira:

Fiquei com a cabeça achatada, a boca muito escura (é que borrou o nanquim, entnoa improvisei  =P) e cabelo baixo demais. O marido reclamou um monte!

Já que ele reclamou, ele foi o principal responsável pelo resultado seguinte:

Nariz de batatinha (check), gordinha (check), cabelo longo e ondulado (check), escondendo a olheira atrás dos óculos (check), boca pequena e gordinha (check), pouca sombrancelha (check). Mas sempre falta alguma coisa, então adicionei um detalhe importante:

Sou morena! O cabelo é castanho bem escuro.

Contudo, todas essas imagens foram feitas antes de eu terminar a p.3 da Introdução. Agora não quero mudar o meu ícone, porque gostei do visual que ficou o rosto da Ellie…

Além disso, essa imagem ficou super torta! O lado direito do óculos tá subindo ><

Mas acho que o que mais me incomoda nessa imagem é que ela é estática. Parece uma daquelas fotos para documento, sabe? Sem nenhuma personalidade. Quem sabe algum dia eu consigo fazer uma caricatura mais dinâmica?

Até a próxima e bons sonhos…

Desenhando olhos femininos – estilo próprio

Olá!

Depois do longo post com modelos de olhos, resolvi expor as evoluções e resultados do meu pequeno estudo.

Os primeiros olhos desenhados e a forma como pensei em fazer os olhos dos personagens era assim:

São os olhos no desenho da personagem principal. Um estilo semelhante aos olhos do Mizutani no desenho em que ele aparece 1/2 peixe. Os olhos da Ellie seguem o estilo tradicional, grandes, bem brilhantes, cílios indicados por traços mais escuros/sobrepostos. Inicialmente pensei em fazer a pupila em preto e um degradê com traços paralelos na íris, clareando de cima para baixo.

Contudo, quando fiz o Mizutani, com nanquim na folha especial e em um tamanho maior, o olho ficou com um aspecto desagradável. Esse mesmo aspecto desagradável se repete no desenho abaixo, rascunho para a folha 4 da introdução. Foi aí que resolvi pesquisar sobre olhos, procurando uma nova maneira de estilizar o olho sem deixa-lo monótono.

Perceba que aqui a íris é ovalada; aumentei a quantidade de cílios; tentei fazer os traços radiais na íris nas bordas externas, internas e no meio da íris; tentei fazer a pupila em degradê. Achei que ficou horrível!

Hora de mais pesquisa e novas tentativas:

Neste, vi que a musculatura da íris parece quase uma nuvem, não é exatamente radial. Tentei não desenhar a borda da íris, fazendo tracejados no lugar de uma linha contínua (alguns mangakas fazem assim). Diminui a quantidade de cílios independentes.

Marido criticou: brilho estava estranho (impressão que falta pedaço do olho) e pupila ovalada ficava estranha. Nova tentativa:

A íris está redonda, o brilho maior foi dividido em dois menores. Fiz as linhas radiais nas bordas da íris; estilizei mais os cílios; as sombras foram colocadas de acordo com o estudo sobre os olhos, no lado da íris em que se encontra a maior parte da iluminação e sob a pálpebra superior.

Mesma coisa que o anterior, brilho arredondado. Acho que o maior problema das duas versões acima é que estão muito… nanquim e pouco mangá… como explicar… A minha impressão é que falta estilizar mais para ficar com cara de mangá. Assim, resolvi deixar as sombras a cargo do screentone e usar a pena G para deixar as linhas radiais mais espessas:

Finalmente, resolvi estilizar ainda um pouco mais e, mesmo estando borrado, o olho abaixo tornou-se o modelo para futuros olhos:

Observe que incrementei as sombras feitas na arte final e fiz todo o olho com pena G. Penso em usar screentone em degradê para “pintar” a íris.

Abaixo encontram-se os olhos que fiz para a Ellie, para a folha 4, seguindo o estilo acima. Os dois olhos em cima seriam dela meio sonada, os dois abaixo seriam dela surpresa:

Nos olhos sonados eu decidi não pintar toda a íris, porque a minha sensação é que a íris hachurada dá a impressão de que a pessoa não está vendo direito, que a imagem não está nítida (algo que acontece quando estamos com sono. Como as pálpebras estão mais fechadas, a sombra sobre a íris é maior e mais pesada. O deslocamento dos olhos foi tosquice =P

Nos olhos supresos, diminui o tamanho da íris para aumentar o espaço em branco em torno dela, intensificando a impressão de olhos assustados. Sobre o tamanho da pupila, digo que as pupilas começaram pequenas. Depois que mostrei o desenho para o marido, ele observou que as pupilas deveriam ser grandes se a Ellie estava assustada. Lá fui eu então procurar na internet sobre dilatação de pupilas e a relação com a emoção. O resultado não foi muito conclusivo, mas pode-se dizer que, se a pessoa se interessa no que vê, as pupilas dilatam; se a pessoa não está interessada, a pupila fica menor. Assim, se a surpresa fosse desagradável e dessem raiva, as pupilas ficariam pequenas.

Para esses últimos desenhos de olho usei lápis, borracha, gabarito de círculos (para desenhar a íris), pena G, nanquim pilot.